Quando o Banco Central publicou a Resolução BCB 561 no fim de abril de 2026, as manchetes foram rápidas: “Brasil proíbe stablecoins”, “Bitcoin vetado em pagamentos”, “cripto fora da lei”. Em menos de 24 horas, a desinformação tomou conta — logo não faltaram lojistas online perguntando se precisavam parar de usar o Depix Gateway. A resposta curta é não.
O debate em torno da resolução BCB 561 e Stablecoins deixou claro que a maioria dos lojistas online ainda confunde o escopo da norma com o seu próprio negócio. Além disso, a regulação cripto no Brasil em 2026 está avançando em etapas — e cada norma tem um alvo específico. Por isso, este artigo separa o ruído da realidade, com foco direto no que muda (ou não muda) para quem aceita PIX e recebe em DePix no e-commerce.
Resolução BCB 561 e Stablecoins: O Que a Norma Realmente Diz
A Resolução BCB 561, publicada em 30 de abril de 2026, atualiza as regras do sistema eFX — um modelo regulado de pagamentos e transferências internacionais digitais criado pelo Banco Central para prestadores autorizados que operam câmbio via meios digitais.
O que a norma determina: prestadoras de eFX ficam proibidas de usar Bitcoin, USDT, USDC ou qualquer criptoativo como trilho de liquidação na relação com contrapartes no exterior. Em outras palavras, uma fintech brasileira autorizada a operar câmbio digital não pode mais usar stablecoins dolarizadas para liquidar transferências internacionais dentro do modelo eFX.
Por outro lado, a norma não proíbe comprar, vender, custodiar ou usar criptoativos dentro do Brasil. O próprio Banco Central mantém o reconhecimento de ativos virtuais em sua tabela oficial de classificação cambial (código 34038, Anexo V). Portanto, a regulação é cirúrgica — atinge um modelo específico de operação internacional, não o uso doméstico de ativos digitais.
eFX e Stablecoins Dolarizadas: Quem É Realmente Afetado
Para entender quem está no escopo da Resolução 561, é necessário conhecer o que é uma operação eFX. Trata-se de um regime específico para instituições autorizadas pelo BCB a operar câmbio digital — por exemplo, fintechs de remessa, operadores de pagamento transfronteiriço e similares. Essas empresas usavam USDT e USDC como trilho de liquidação nas operações com contrapartes estrangeiras — e é exatamente isso que a norma passa a proibir.
Além disso, a norma faz parte de um pacote regulatório mais amplo que inclui a Resolução BCB 520 (PSAVs), a Resolução BCB 521 — que classificou stablecoins lastreadas em moeda estrangeira como operação de câmbio — e o enquadramento de VASPs em vigor desde fevereiro de 2026. Em resumo, o Brasil está construindo trilhos regulatórios para cripto, não derrubando-os.
| Quem está no escopo da Res. 561 | Quem está fora do escopo |
|---|---|
| Fintechs de remessa internacional via eFX | Lojistas que recebem PIX em DePix |
| Operadores de câmbio digital autorizado pelo BCB | Pessoas físicas e jurídicas que usam DePix domesticamente |
| Plataformas que usam USDT/USDC para liquidar operações no exterior | E-commerces com Depix Gateway ou Link de Pagamentos |
Por Que o DePix Não Se Encaixa Nessa Norma
Aqui está o ponto que a maioria das manchetes ignorou: o DePix é uma stablecoin lastreada 1:1 no real brasileiro (BRL), não em dólar. Por essa razão, ele opera em um ciclo de pagamento inteiramente doméstico na Liquid Network — o cliente paga com PIX em reais, e o lojista recebe DePix na sua carteira Liquid, equivalente ao valor em reais menos as taxas.
Em termos práticos, não há cruzamento de fronteira cambial. Não há operação eFX. Por fim, não há contraparte estrangeira no ciclo de liquidação. A confusão entre USDT — stablecoin lastreada em dólar, amplamente usada em remessas — e o DePix — lastreado em real e voltado para o mercado doméstico — é exatamente o tipo de desinformação que paralisa quem deveria estar agindo.
Na prática, lojistas que utilizam o Depix Gateway relatam uma vantagem concreta nesse contexto: como são eles próprios os responsáveis por auto-declarar suas movimentações com criptoativos, o controle sobre as obrigações fiscais fica nas suas mãos. Isso de fato simplifica muito o cumprimento das obrigações em comparação com gateways tradicionais, onde extratos bancários e liquidações custodiais fragmentam o controle financeiro.
O Que Muda no Seu Dia a Dia Como Lojista
Em termos práticos, nada muda na operação do Depix Gateway ou do Link de Pagamentos em função da Resolução BCB 561. Veja o que permanece intacto:
- Receber PIX e liquidar em DePix: funciona normalmente — o ciclo é doméstico e não depende de eFX.
- Carteiras Liquid compatíveis (AQUA, SideSwap, Blockstream Green, Jade): sem nenhuma alteração de uso.
- Converter DePix em BRL via off-ramp: atualmente, para converter DEPIX em Pix, basta preencher o formulário disponível em depix.site. Seu pedido será processado em até 24h úteis e você receberá instruções por e-mail. A automação desse processo está em desenvolvimento.
- Swap DePix → L-BTC via SideSwap: continua disponível. Consulte o spread atual diretamente no SideSwap antes de operar (verificar valor atual).
O ambiente regulatório brasileiro é, de fato, complexo — a burocracia fiscal de sempre, agora com uma camada adicional de regulação cripto sobre ela. No entanto, deixar que complicações externas causem imobilismo é a pior resposta possível. Quem escolhe não agir nesse momento também está fazendo uma escolha — e essa inação também produz resultados. Portanto, não há neste momento nenhum impedimento legal ao uso do DePix para receber pagamentos domésticos.
O Cenário Regulatório de 2026: O Que Observar
Como resultado de um processo regulatório gradual, o Banco Central está construindo um arcabouço para criptoativos no Brasil em etapas. A Res. 520 enquadrou os PSAVs. A Res. 521 classificou stablecoins lastreadas em moeda estrangeira como operação de câmbio. A Res. 561 fechou a porta do eFX para cripto. Cada norma tem um escopo específico — e nenhuma delas, até agora, atinge o uso doméstico de uma stablecoin lastreada em BRL para recebimento de pagamentos.
O que vale monitorar: o enquadramento de VASPs, em vigor desde fevereiro de 2026, pode trazer novas exigências para emissoras de tokens ao longo do ano. No entanto, isso não afeta o lojista diretamente. Para quem usa o Depix Gateway, a orientação prática é direta: cumpra suas obrigações fiscais sobre movimentações com criptoativos e acompanhe os comunicados oficiais. Além disso, se você ainda não conhece como funciona o ciclo completo de uma venda com DePix, consulte nosso guia sobre como receber PIX sem conta bancária e compare com as taxas dos gateways tradicionais em 2026.
Resolução BCB 561 Stablecoins: Perguntas Frequentes
Não. A norma proibiu o uso de criptoativos como trilho de liquidação dentro do modelo eFX — ou seja, para fintechs autorizadas a operar câmbio digital internacional. Comprar, vender, custodiar ou usar stablecoins domesticamente, portanto, não está proibido.
Não. A resolução BCB 561 e stablecoins no escopo eFX dizem respeito a fintechs autorizadas a operar câmbio digital internacional — não a lojistas que recebem PIX com liquidação em DePix no mercado doméstico. Sendo assim, quem usa o Depix Gateway ou o Link de Pagamentos não está enquadrado nessa norma.
Não diretamente. O DePix é lastreado em real brasileiro e opera em um ciclo de pagamento doméstico — PIX do cliente, DePix na carteira do lojista — que não se enquadra no modelo eFX regulado pela Resolução 561.
Sim. Receber em DePix não exime de obrigações fiscais. A responsabilidade pela auto-declaração das movimentações com criptoativos é do contribuinte — o que, na prática, é mais simples de controlar do que depender de extratos bancários e liquidações custodiais. Consulte um contador ou advogado tributário sobre sua situação específica.
O cliente paga com PIX normalmente. Em seguida, o lojista recebe DePix na sua carteira Liquid — equivalente ao valor em reais menos as taxas — sem conta bancária, sem KYC pesado, com cadastro apenas por e-mail. Para mais detalhes, veja o guia completo do Depix Gateway para WooCommerce.
O DePix é um ativo emitido na Liquid Network por empresa privada (Eulen). Não é regulado pelo Banco Central do Brasil e não tem garantias do sistema financeiro tradicional. Consulte um advogado sobre suas obrigações legais.
Tem uma loja WooCommerce ativa? Instale o plugin agora e comece a receber PIX com liquidação direta na sua carteira. Não tem site? Crie seu Link de Pagamentos agora. Fique por dentro de mais artigos como esse no nosso Blog.


